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Autoretrato, 2015

Helena Kozlakowski nasceu em 1996 em São Paulo, cidade onde vive até hoje. É a segunda de quatro filhas, sendo duas do casamento de seu pai com sua mãe, e duas do segundo de seu pai. Pelo lado paterno, recebeu uma educação bem tradicional. O lado materno, por sua vez, concedeu mais liberdade. Começou a se interessar por arte muito pequena. Segundo a sua avó, já rabiscava quando ainda era bebê, sentada no cadeirão enquanto esperava a comida ficar pronta ou enquanto comia. Depois, por volta dos cinco anos, pegou hábito de desenhar à noite, sentada na mesa da cozinha ao lado de sua mãe, enquanto ela revisava seus projetos arquitetônicos e sua avó cozinhava. Essa foi a maneira que encontrou de estar próxima de quem amava. Até porque era apraziada quando fazia trabalhos bonitos.

Como tinha habilidades artísticas, continuou praticando. Dentre todas matérias da escola, Artes era a disciplina onde brilhava. Quando foi introduzida à argila em uma aula, ficou fascinou por esse material. Pedia para sua mãe comprar para experimentar em casa. Nunca mais perdeu o gosto, sendo a cerâmica a principal linguagem usada por ela. A pintura a princípio também era de seu interesse, mas depois foi perdendo o encanto, sendo substituída por outras linguagens. Além das artes visuais, têm uma forte relação com as artes do corpo e a música. Desde pequena frequentou aulas de piano, canto, percussão, dança e teatro. Não à toa, há uma presença muito forte do corpo em seus trabalhos, que também são em geral interdisciplinares ou multimídia.

Adentrando a universidade, escolheu o bacharel em escultura, que permitiu que trabalhasse a intersecção entre performance, objeto e instalação/instauração. Esse diálogo se faz presente em trabalhos como "Me Chupa", "Cara a Cara com São Paulo", "Canteiro", "Eletric Indigo" e "Arte no pé". Mas também foi nessa instituição que desenvolveu um forte gosto por fotografia, realizando uma série de ensaios, como "Urbana", "Masculinú", "Construção" e "Colhendo Seixos". A escultura, em sua apresentação mais clássica, está presente em exercícios e na obra "La que Cría". 

Dentre as temáticas mais frequentes em suas artes, estão a relação com a cidade, a relação com o corpo, o nu, o erotismo feminino, a memória coletiva e individual, a memória histórica e assuntos ligados ao feminismo em geral. Como ilustra o trabalho "Arte no pé", para a artista toda arte é política. Essa concepção condiz com seu assíduo envolvimento com o movimento estudantil durante a graduação, tendo se engajado especialmente com a luta pela continuidade do direito a creches. Sua experimentação de escultura social, "Canteiro", inspirada no trabalho de Joseph Beuys, foi realizada em parcerias com professoras, pais e crianças na Creche Oeste, que na altura estava sofrendo ameaça de fechamento.

Como artista mulher, suas artes dialogam sobre a dinâmica do pertencimento e não pertencimento. O pertencimento ou não na família ("Colhendo Seixos"). O pertencimento ou não na cidade ("Urbana", "Cara a Cara com São Paulo" e "Construção"). O pertencimento ou não na história ("Universitária", "Canteiro"). O pertencimento ou não no meio artístico ("La que Cría", "A Artesã"). O pertencimento ou não na política ("Arte no pé"). Ou do próprio corpo ("Me chupa", "La que Cría"). Embora se sinta pertencente, como mulher, muitas vezes não é bem vinda ou bem tratada. É comum que seja invadida ou ignorada. Então, como a exclusão acontece de fora para dentro, as obras são lugar de questionamento e afirmação. "Existo, mereço, pertenço, participo, importo e sou."

BIOGRAFIA

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